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Mostrando postagens de julho, 2010

João Grilo

Nada parece estar no lugar andando sem destino procurando onde chegar procurando algum caminho Esse ar seco que dificulta a respiração aflingi a esperança por uma precipitação sem previsão Entre galhos secos passa o pé calejado as feridas já não doêm o homem aguenta calado O sol queima seus pensamentos e só os sonhos o mantem em pé leva nas costas esse sofrimento e cada hora ele pesa mais é nessa hora que o corpo desaba sem forças pois a cabeça não pensa mais inconscientimente luta pela vida as lágrimas refrescam sua face e limpam as suas feridas murmura algo como se rezasse mas seus apelos não são ouvidos morre inválido João Grilo

Visão pessimista

Quanto mais penso mais me afundo nesse vale sem dimensão Cheio de valores contraditórios sem nenhuma definição Essa habilidade de saber que não sabemos nada só nos torna mais inúteis inventando passa-tempos para nossas vidas fúteis essa complexidade evolutiva não responde as minhas perguntas Querem te vender a verdade mas a verdade não existe são só palavras vazias de um poema triste Somos animais como todos os outros com sentimentos e prontos para morrer também a qualquer momento Nos relacionamos uns com os outros e vivemos em sociedade numa falsa justiça numa falsa igualdade Seleção natural dos mais ricos e mais espertos Inventam hipoteses e teses pra converser nos de que tudo isso é certo

Uma só alma

Na pele do apaixonado o calor do toque da amada fala mais que mil palavras Os minutos são sentidos em segundos os movimentos passam em câmera lenta e acabam parecendo premeditados como um crime bem planejado vendo a tortura de ter seus instintos estigados Cada caricia, cada movimento um segredo desvendado Como um cego lendo em braille com seu tato apurado Os sentimentos são colocados a prova E é nessa hora que o coração bate mais forte As respirações entram em sincronia seres tão diferentes se homogenizam, uma só alma, uma só mente

Maçã do Éden

Adão comeu a maçã do Éden e descobriu a ciência Mas em vez de respostas encontrou só dúvidas sobre a sua existência Achou que podia dominar o mundo Mas virou refém das próprias ações abriu a porta para fome e miséria das populações Resolveu procurar soluções pra esse problema Mas nada adiantava pois sempre caia no mesmo dilema Adão comeu a maçã do Éden e descobriu o capitalismo e manchou a nação com todo seu egoísmo fechou os olhos e arrependeu-se da sua criação violência, imoralidade e corrupção Seus filhos se matando por inveja Nó homens somos autores da nossa própria tragédia

Racionalismo

Os sentimentos tão infinitos encontram na razão humana sua insignificância Presa nessa vida passageira que na imensidão do universo torna-se apenas poeira Idéias e conceitos mortais somem num ricão do cosmo As causas de guerras e sofrimentos sem nenhum propósito A morte é a barreira final do nosso conhecimento Achamos ser o centro como se o mundo girasse por nós mas somos só mais uma peça desse dominó A verdade sempre em nossa frente mas não queremos ver que o mundo é uma metáfora fácil de compreender O racionalismo não tem razão pois suas causas não tem explicação buscando sempre a precisão do impreciso buscando sempre a exatidão de algo sem sentido

Preso as lembranças

Me trasporto para páginas antigas porque a realidade já não me satisfaz Nessa corrida humana de sempre querer mais A mente é meu purgatório onde inferno e céu se confudem entre pulsos contraditórios de um coração mudo torturado pela insegurança essa incerteza de tudo no refúgio das lembranças busco um futuro

O sabor da sensação

Tudo é lícito mas nem tudo te convém A lei julga e condena os que não usam sua liberdade bem As câmeras que garantem uma segurança vigiada são as mesmas que distribuem mutas pela estrada Entre alguns maços de cigarro a justiça trabalha vendada decidindo futuros sem ser contestada Você não sabe a sensação de ver a luz do sol depois de uma noite de escuridão Você não sabe a sensação de um aperto de mão depois de uma noite de solidão As ruas são as salas de aulas dos que foram abortados para vida O crime se renova em becos sem saída Os livros defendem os estudantes de balas perdidas que procuram por mudança estancar essa ferida A violência combate a violência entre policiais e bandidos aonde fica a inteligência? Mas um político prega a solução como se fosse o messias trazendo a salvação Saúde e educação sempre em decadência e as vítimas desse sistema pedem urgência Você não sabe a sensação de ver a luz do sol depois de uma noite de escuridão Você não sabe a sensação de um aperto de mão ...

Castelos imaginários

Uma coisa não sai da minha cabeça e procuro dentro dela palavras pro teu quebra- cabeça Uma coisa que te apeteça e que não sai da tua cabeça para que nunca mais se esqueça de mim Uma coisa não sai da minha cabeça e antes que eu enloqueça vou gritar ao mundo a tua beleza e talves mais leve quebre a frieza desses pensamentos emerja e acabe com todo sofrimento Uma coisa não sai da minha cabeça como o movimento das ondas no dias de cheia Em vai e vens arbitrários moldam as sensíveis areias e destroem castelos imaginários