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Situação embaraçosa

Puxo, mas o ar não vem e nessa minha angustia me torno refém Refém das minhas próprias escolhas De sempre querer o mais díficil e persistir em cair nesse precipício Te olho, mas não me retribui o olhar e entre eu e você existe homens que nunca te amaram e jamais vão te amar só cumprem seu papel na história de nos impedir de se a proximar Confesso, e peço desculpas por deixar isso acontecer Me fiz de forte, segurei as precipitações e calei o que os meus olhos queriam dizer tentando afogar as lembranças que tinha de você Conjecturo, fatos irreais lembranças que não aconteceram e nesses meus pensamentos falsos sentimentos sonho e realidade se perderam

Relatos de um homicídio

Prefiro dormir do que ficar acordado Prefiro sonhar do que ter do meu lado só mediocridade pra viver mas até os sonhos já não são o que costumavam ser O semblante pesa e é um esforço descomunal para figir que tudo está normal A rosa e o espinho existem apenas dois caminhos que se confundem no percursso e a solidão é o pior deles Mesmo com todos me sinto só,desconectado me sinto só pequeno em tudo que eu faço vejo meu reflexo e não me reconheço não era essa a imagem que tinha de mim mesmo Foi de tanto me preocupar com essa tal alegria que acabou ficando tudo na teoria Me sinto frustado, sempre perdendo de todos os lados então chega uma hora que a carne não aguenta mais e a alma se entrega, cansado de servir de peteca

Alegoria da caverna

A vida que se passa é um rascunho imperfeito uma cópia barata de um mundo de defeitos Tudo é manipulado apenas ilusão O fruto da mente de um homem cheio de imaginação Quero ser livre e poder caminhar Romper as algemas e me libertar Desvendar o mundo sem restrinção Superar barreiras da escuridão Tudo é confuso sem explicação de aparência anormal mas dizem que esse é o mundo real Quero ser livre e poder caminhar Romper as algemas e me libertar Desvendar o mundo sem restrinção Superar barreiras da escuridão

Entre espinhos e flores

Pessoas frustradas, angustiadas buscam sentido em minutos de prazer vidas desestruturadas que procuram esquecer Cheirando aquele sentimento por apenas um momento não se preocupar com o que deveria ser Entre espinhos e flores jogo de cores nem tudo é o que parece Em um momento de sofrimento o choro precede uma prece Viajar o mundo em um delírio profundo encontrar alguém que se preocupe com você Nas ruas muitos morrem sem poder se defender Pois nas ruas muitos morrem sem ter o que dizer Entre espinhos e flores jogo de cores nem tudo é o que parece Em um momento de sofrimento o choro precede uma prece

Pra onde você foi

Pra onde você foi sem me falar estou aqui sentado esperando você voltar Preciso ouvir tua voz teu jeito de me chamar Ainda estou sentado esperando você voltar Tudo me lembra você e faz falta Tudo me lembra você e faz falta a sua alegria de viver E eu me pergunto o por quê de tudo isso acontecer Pra onde você foi sem se despidir nem fechou a porta depois de sair e deixou aberta essa solidão esse vazio no meu coração preciso ouvir tua voz a me chamar e me levar pra esse novo lugar Queria voltar tudo e poder aproveitar e te segurar bem forte pra não poder me deixar Pra onde você foi sem me falar estou aqui sentado esperando você voltar

Ponto final

Corpos caídos no chão pelos caminhos que muitos foram mas poucos voltaram Nesses becos escuros a consciência pesada não vê futuro, não vê nada Só a frustação estampada em uma cara mal lavada Vendo seus sonhos se transformarem em pesadelos Refém do que antes era apenas um prazer agora um desejo insaciável, intragável, medo Medo de não poder ter controlar, parar vendo a vida passar com a velocidade da chama que queima o cigarro vendo a vida passar mais rápida que um carro tenta desacelerar, mas chega um ponto que já não dá É ponto final dessa estrada Corpos caídos no chão pelo caminho que muitos foram e poucos voltaram

Foi com medo

Pensamentos incompletos sobrevoam e passam como traçantes trazendo sua imagem meio distante Esse é o sabor amargo de não te ter Mas só pensar em você Me julguei pouco me achei um louco por te querer Sua pele macia, seus olhos castanhos que realçam meu sonho e afligem esse desejo sua boca esculpida a procura de um beijo Foi com medo de te ter que perdi você Foi com medo de dizer que me apaixionei sem querer Sigo calando esse sentimento e me arrependo, me arrependo de tudo Tenho raiva de Deus e do mundo por ser assim Frágil, incompleto, inseguro quando te vejo por perto fico em cima do muro Foi com medo de sofrer que perdi a chance de ser feliz com medo de ter o que sempre quis

João Grilo

Nada parece estar no lugar andando sem destino procurando onde chegar procurando algum caminho Esse ar seco que dificulta a respiração aflingi a esperança por uma precipitação sem previsão Entre galhos secos passa o pé calejado as feridas já não doêm o homem aguenta calado O sol queima seus pensamentos e só os sonhos o mantem em pé leva nas costas esse sofrimento e cada hora ele pesa mais é nessa hora que o corpo desaba sem forças pois a cabeça não pensa mais inconscientimente luta pela vida as lágrimas refrescam sua face e limpam as suas feridas murmura algo como se rezasse mas seus apelos não são ouvidos morre inválido João Grilo

Visão pessimista

Quanto mais penso mais me afundo nesse vale sem dimensão Cheio de valores contraditórios sem nenhuma definição Essa habilidade de saber que não sabemos nada só nos torna mais inúteis inventando passa-tempos para nossas vidas fúteis essa complexidade evolutiva não responde as minhas perguntas Querem te vender a verdade mas a verdade não existe são só palavras vazias de um poema triste Somos animais como todos os outros com sentimentos e prontos para morrer também a qualquer momento Nos relacionamos uns com os outros e vivemos em sociedade numa falsa justiça numa falsa igualdade Seleção natural dos mais ricos e mais espertos Inventam hipoteses e teses pra converser nos de que tudo isso é certo

Uma só alma

Na pele do apaixonado o calor do toque da amada fala mais que mil palavras Os minutos são sentidos em segundos os movimentos passam em câmera lenta e acabam parecendo premeditados como um crime bem planejado vendo a tortura de ter seus instintos estigados Cada caricia, cada movimento um segredo desvendado Como um cego lendo em braille com seu tato apurado Os sentimentos são colocados a prova E é nessa hora que o coração bate mais forte As respirações entram em sincronia seres tão diferentes se homogenizam, uma só alma, uma só mente

Maçã do Éden

Adão comeu a maçã do Éden e descobriu a ciência Mas em vez de respostas encontrou só dúvidas sobre a sua existência Achou que podia dominar o mundo Mas virou refém das próprias ações abriu a porta para fome e miséria das populações Resolveu procurar soluções pra esse problema Mas nada adiantava pois sempre caia no mesmo dilema Adão comeu a maçã do Éden e descobriu o capitalismo e manchou a nação com todo seu egoísmo fechou os olhos e arrependeu-se da sua criação violência, imoralidade e corrupção Seus filhos se matando por inveja Nó homens somos autores da nossa própria tragédia

Racionalismo

Os sentimentos tão infinitos encontram na razão humana sua insignificância Presa nessa vida passageira que na imensidão do universo torna-se apenas poeira Idéias e conceitos mortais somem num ricão do cosmo As causas de guerras e sofrimentos sem nenhum propósito A morte é a barreira final do nosso conhecimento Achamos ser o centro como se o mundo girasse por nós mas somos só mais uma peça desse dominó A verdade sempre em nossa frente mas não queremos ver que o mundo é uma metáfora fácil de compreender O racionalismo não tem razão pois suas causas não tem explicação buscando sempre a precisão do impreciso buscando sempre a exatidão de algo sem sentido

Preso as lembranças

Me trasporto para páginas antigas porque a realidade já não me satisfaz Nessa corrida humana de sempre querer mais A mente é meu purgatório onde inferno e céu se confudem entre pulsos contraditórios de um coração mudo torturado pela insegurança essa incerteza de tudo no refúgio das lembranças busco um futuro

O sabor da sensação

Tudo é lícito mas nem tudo te convém A lei julga e condena os que não usam sua liberdade bem As câmeras que garantem uma segurança vigiada são as mesmas que distribuem mutas pela estrada Entre alguns maços de cigarro a justiça trabalha vendada decidindo futuros sem ser contestada Você não sabe a sensação de ver a luz do sol depois de uma noite de escuridão Você não sabe a sensação de um aperto de mão depois de uma noite de solidão As ruas são as salas de aulas dos que foram abortados para vida O crime se renova em becos sem saída Os livros defendem os estudantes de balas perdidas que procuram por mudança estancar essa ferida A violência combate a violência entre policiais e bandidos aonde fica a inteligência? Mas um político prega a solução como se fosse o messias trazendo a salvação Saúde e educação sempre em decadência e as vítimas desse sistema pedem urgência Você não sabe a sensação de ver a luz do sol depois de uma noite de escuridão Você não sabe a sensação de um aperto de mão ...

Castelos imaginários

Uma coisa não sai da minha cabeça e procuro dentro dela palavras pro teu quebra- cabeça Uma coisa que te apeteça e que não sai da tua cabeça para que nunca mais se esqueça de mim Uma coisa não sai da minha cabeça e antes que eu enloqueça vou gritar ao mundo a tua beleza e talves mais leve quebre a frieza desses pensamentos emerja e acabe com todo sofrimento Uma coisa não sai da minha cabeça como o movimento das ondas no dias de cheia Em vai e vens arbitrários moldam as sensíveis areias e destroem castelos imaginários